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Pele, para, coco: como saber quando devo usar acento nas palavras?

A língua portuguesa é linda, rica, mas também cheia de pegadinhas. Quem nunca parou para pensar, meio confuso, se deveria colocar um acento aqui ou ali? Palavras como pele, para e coco podem parecer simples à primeira vista, mas, quando entram na conversa seus homônimos (ou quase isso), a história muda. Vamos descomplicar de vez essa questão? Sim! Mas com calma e, claro, com muitas dicas práticas.

Primeiro: por que o acento existe?

Antes de entrar no “como” e no “quando”, é importante entender o “por quê”. O acento serve para marcar a tônica da palavra — aquele pedaço onde a gente coloca mais força na pronúncia. Mas, às vezes, ele também diferencia palavras que se escrevem igual, mas têm significados ou sons diferentes. Parece complicado? Mas não é tanto assim, prometo!

Pele ou péle?

Vamos começar pelo exemplo mais tranquilo. A palavra pele não leva acento porque a sílaba tônica (o “pe”) já é naturalmente mais forte e está no lugar certo: é uma palavra paroxítona. Essas, na maioria das vezes, não precisam de acento, salvo se terminarem em ditongos (como cárie) ou em vogais mais “raras” (como fênix).

Mas você pode estar pensando: “Ok, mas existe péle com acento?” Na língua portuguesa padrão, não. Então, aqui é só lembrar que pele é sempre sem mistério, sem acento, mas com muito charme.

Para ou pára? O dilema que mudou com o tempo

Aqui, a coisa complica um pouquinho. Antes do acordo ortográfico de 2009, a gente tinha pára (com acento) para o verbo parar e para (sem acento) para a preposição, como em “isso é para você”. Mas o acordo veio, e o acento da forma verbal foi embora.

Agora, não importa o contexto, sempre escrevemos para sem acento. E como saber o que é o quê? Bom, o segredo está na frase. Por exemplo:

  • Ela para o carro na esquina. (verbo parar)
  • Esse presente é para você. (preposição)

Ainda assim, há quem reclame: “Mas, e a confusão?” A verdade é que, com o contexto da frase, a gente quase sempre entende o sentido correto. Mas, se bater a dúvida, uma dica é pensar na sonoridade. Quando é o verbo parar, o “pa” fica mais forte; na preposição, é mais suave.

Veja mais, mas ainda hoje:

Coco? O que um acento não faz, hein?

Esse é o clássico que todo mundo já confundiu pelo menos uma vez. Coco (sem acento) é o fruto do coqueiro, aquele que tem água deliciosa e uma carne branquinha. Já cocô (com acento) é… bom, você sabe.

A diferença é simples: no caso do cocô, o acento indica que a sílaba tônica é a última (“cô”). Em coco, a tônica está no “co” inicial, então nada de acento. Aqui, um pequeno traço pode mudar totalmente a conversa. E, claro, garantir algumas boas risadas em situações mais descontraídas.

Quando o acento é obrigatório?

Agora que já entendemos os exemplos, vale relembrar as regras gerais. Na língua portuguesa, as palavras podem ser classificadas como:

  • Oxítonas: a última sílaba é a tônica (como café ou cocô).
  • Paroxítonas: a penúltima sílaba é a tônica (como pele ou coco).
  • Proparoxítonas: a antepenúltima sílaba é a tônica (como árvore ou médico).

E o que isso tem a ver com o uso do acento? Simples:

  1. As proparoxítonas são sempre acentuadas. Sempre.
  2. As oxítonas recebem acento quando terminam em a(s), e(s), o(s), em ou ens (exemplo: jacaré, tamborim).
  3. As paroxítonas, por outro lado, só levam acento se terminarem em ditongos (ia, ie, uo) ou em consoantes mais raras, como l e x.

Mas, e as mudanças do acordo ortográfico?

O acordo de 2009 eliminou alguns acentos que antes existiam. Já falamos do pára, mas também vale lembrar de casos como:

  • Ideia: não tem mais acento.
  • Voo: sem acento também.
  • Feiura: nada de acento aqui.

As mudanças podem até gerar resistência, mas são feitas para simplificar a escrita.

Saber onde colocar (ou não) um acento é muito mais do que decorar regras; é entender como nossa língua funciona. Sim, às vezes parece complicado, mas, com prática, a gente pega o jeito. Se bater a dúvida, vale consultar um dicionário ou até usar ferramentas de correção automática.

Mas, acima de tudo, lembre-se: o português é um desafio, mas também uma aventura fascinante! Então, quando surgir a dúvida, aproveite para aprender algo novo e, quem sabe, até se divertir no processo.

Rodrigo Peronti

Jornalista, especializado em Semiótica. Já atuou em grandes veículos de comunicação do país.

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