A medicina tem avançado bastante e isso vem ajudando as pessoas a terem mais tempo de vida. Mas algo ainda chama a atenção: o número de casos de demência vem crescendo. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de seis milhões de americanos vivem com demência.
Existe uma previsão de que um milhão de pessoas será diagnosticado com demência todos os anos, até 2060, segundo um estudo publicado na Nature Medicine. Conhecer o risco de uma pessoa desenvolver demência ao longo da vida pode levar a melhores esforços de prevenção.
De acordo com os pesquisadores, existe um risco de 42% de a pessoa desenvolver demência após os 55 anos de idade. Atualmente, os cientistas já conhecem melhor a doença. Avanços importantes vêm acontecendo nas pesquisas que vão poder, um dia, retardar ou mesmo impedir a progressão da doença. A seguir, cinco descobertas mais recentes sobre demência.
Os médicos ainda podem diagnosticar um paciente com doença de Alzheimer por meio de uma tomografia por emissão de pósitrons (PET) do cérebro, um dos exames mais caros que existem, que deve ser agendado com antecedência. Também é possível realizar uma punção lombar, que é invasiva e também requer agendamento prévio.
Os pesquisadores, no último ano, vêm aprimorando exames de sangue capazes de detectar a doença de Alzheimer por meio de biomarcadores, e os médicos os adotaram rapidamente. Durante uma entrevista à Discover, Christopher Weber, psicólogo clínico e diretor sênior de iniciativas científicas globais da Associação de Alzheimer, disse que “um dos avanços mais importantes foi o rápido desenvolvimento e a adoção clínica de biomarcadores baseados em sangue, particularmente os testes de tau fosforilada (p-tau217)”.
No ano passado, foi realizado um estudo clínico randomizado POINTER, nos EUA, que mostra como intervenções no estilo de vida podem ajudar adultos mais velhos a manter um melhor funcionamento cognitivo.
O estudo propôs aos participantes uma série de mudanças no estilo de vida relacionadas à nutrição, exercícios físicos, estimulação cognitiva e socialização. Os 2.111 participantes eram todos adultos mais velhos, com idades entre 60 e 79 anos, sedentários e com outros fatores de risco para o desenvolvimento de perda de memória.
Boa parte dos participantes já estava inscrita em um programa estruturado que incluía 38 encontros ao longo de dois anos. Neste período, eles receberam orientação especializada, foram estabelecidas metas e também contaram com mecanismos de acompanhamento e prestação mútua de contas para manter o compromisso com as mudanças.
Uma outra metade seguiu um programa autoguiado, com apenas seis sessões durante o mesmo período. Os participantes, após dois anos, receberam acompanhamento e apresentaram melhor desempenho cognitivo global do que aqueles do grupo autoguiado. O fato animou bastante os pesquisadores, que viram que as intervenções voltadas ao estilo de vida é um caminho promissor para retardar o declínio da memória e de outras funções cognitivas.
A doença de Alzheimer envolve o acúmulo anormal de proteínas no cérebro, especialmente a beta amiloide e a tau. O entendimento atual é que a beta amiloide participa do início de uma cascata de alterações que, com o tempo, contribui para lesão e morte de neurônios.
Cérebros saudáveis conseguem eliminá-la antes que se torne problemática. No entanto, em pessoas com doença de Alzheimer, a beta-amiloide é produzida em excesso ou não é eliminada adequadamente, resultando na formação de placas danosas.
Os medicamentos anti-amiloides fazem parte de uma classe chamada anticorpos monoclonais. Medicamentos como o lecanemab e o donanemab receberam aprovação da FDA para infusão intravenosa e tiveram seu uso aumentado nos últimos dois anos.
Eles podem remover as placas amiloides no cérebro. Não se trata de uma cura, mas ensaios clínicos demonstraram que a redução das placas pode levar a uma melhor função cerebral e aumentar a qualidade de vida do paciente.
“Esses tratamentos são os primeiros a demonstrar que a remoção de placas amiloides pode retardar de forma modesta, porém significativa, o declínio cognitivo em pessoas com doença de Alzheimer em estágio inicial”, disse Weber.
Em 2025, cientistas identificaram o importante papel que o lítio desempenha na proteção do cérebro contra a neurodegeneração, por meio de um artigo publicado na revista Nature. O estudo mostrou que o lítio ocorre naturalmente no cérebro e ajuda todos os principais tipos de células cerebrais a manterem suas funções.
A perda de lítio ocorre precocemente durante a doença de Alzheimer. Quando as placas amiloides se tornam visíveis, os níveis de lítio já estão ainda menores. Isso significa que um novo composto de lítio poderia ser investigado como uma possível forma de prevenção.
A proteína tau é produzida naturalmente pelas nossas células, ajudando-as a funcionar corretamente. Entre suas funções está o suporte à estrutura interna das células, atuando como uma espécie de arcabouço de reforço, tornando-as mais fortes.
No entanto, a tau ganhou uma reputação negativa por estar envolvida em diversas doenças que levam à demência, incluindo a mais comum, a doença de Alzheimer. Isso porque ela pode apresentar mau funcionamento e se aglomerar, causando inflamação e degeneração. O novo foco em terapias direcionadas à tau faz parte de uma abordagem mais abrangente na pesquisa sobre demência, que vai além do foco restrito em terapias anti-amiloides.
Segundo , Christopher Weber, “muitos pesquisadores acreditam que as futuras abordagens de tratamento provavelmente combinarão múltiplas estratégias, assim como acontece hoje nos tratamentos de câncer e doenças cardiovasculares. ”
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