Durante séculos, os historiadores do Oriente Médio e do nordeste da África mencionam a existência de construções extraordinariamente altas erguidas há cerca de 2 mil anos. Mas uma descoberta arqueológica pode ter mudado toda a história ao oferecer evidências concretas.
Nos dias atuais, os grandes arranha-céus do mundo são erguidos com estruturas de aço e concreto, ultrapassando os 600 metros de altura. Embora esses edifícios sejam vistos como símbolos da modernidade, o desejo de construir cada vez mais alto não é algo novo.
Há muitos anos, civilizações antigas já estavam desenvolvendo obras monumentais na tentativa de alcançar alturas impressionantes para aquela época.
Um palácio construído há cerca de 2.800 anos na antiga cidade de Yeha, no norte da Etiópia, tinha paredes estruturalmente capazes de sustentar um edifício de 16 andares. Quem chegou a essa conclusão veio do Instituto Arqueológico Alemão e da Universidade Técnica de Cottbus-Senftenberg, após pesquisadores realizarem uma análise. Os pesquisadores reconstruíram digitalmente partes do Grat Be’al Gibri para testar os limites da engenharia da construção.
Atualmente, restam apenas trechos do piso térreo, do pódio, escadas e alguns elementos de pedra. Um incêndio na antiguidade destruiu o edifício. Esse detalhe dificulta saber como era a configuração original. No entanto, os vestígios preservados ainda permitem estudar o modo como as paredes foram erguidas.
Tudo indica que o Grat Be’al Gibri funcionava como centro administrativo e residência da elite governante de Yeha. O Instituto Arqueológico Alemão conseguiu identificar características que o aproximam de complexos palacianos da Arábia do Sul, usados para funções administrativas e residenciais.
A construção também tinha espaços de armazenamento, onde mercadorias valiosas eram guardadas. Algumas portas desses ambientes eram aparentemente seladas, indício de que o controle sobre os produtos fazia parte da função do complexo.
Os pesquisadores começaram as investigações no sítio arqueológico em 1906. Novas escavações arqueológicas tiveram início na década de 1970, acabaram revelando ruínas do nível térreo do palácio, bem como sua entrada monumental.
Desde 2009, um projeto conjunto etíope-alemão tem trabalhado para reconstruir a planta do palácio e determinar o quão impressionante o edifício era quando estava em uso, há quase 2.800 anos.
Não é possível afirmar que o Grat Be’al Gibri tenha sido construído com 16 andares de altura. A análise mostra que a estrutura poderia, em determinadas condições, suportar uma construção dessa dimensão.
Mesmo a reconstrução mais conservadora, de cerca de oito andares, já representaria uma construção extraordinária para o período, por volta de 800 antes de Cristo.
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