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Os fins trágicos dos filhos de presidentes dos Estados Unidos

Muitas vezes nós esquecemos que presidentes da república são pessoas normais, que têm momentos de alegrias e tristezas, não só no campo da política, mas na vida pessoal. Os Estados Unidos já mostraram que seus líderes já sofreram devido a acontecimentos com seus filhos biológicos ou adotivos. 

Nem sempre os filhos dos presidentes dos Estados Unidos estão na mídia; alguns preferem mantê-los longe dos holofotes. Mas um fato chocante abalou bastante o presidente Abraham Lincoln e sua esposa, Mary Todd: a morte de seu filho Willie Lincoln.

A morte trágica de John F. Kennedy Jr. em um acidente de avião em 1999 também mexeu muito com os americanos. Também diversos filhos de presidentes tiveram suas vidas interrompidas de forma prematura por doenças, acidentes ou problemas pessoais. A tragédia na vida do chefe de estado, que teve essas perdas dolorosas, viu seus dramas sendo explorados por terceiros em busca de benefícios próprios.

A morte precoce de Calvin Coolidge Jr. aos 16 anos

Calvin Coolidge Jr. e seu irmão mais velho, John, jogavam tênis na quadra da Casa Branca. Calvin Jr. usava tênis, mas não meias. O atrito provocou uma bolha em um dos pés, que logo evoluiu para uma infecção generalizada. O quadro se agravou rapidamente e evoluiu para uma septicemia que tirou sua vida aos 16 anos, em 7 de julho de 1924.

O rapaz era filho do presidente dos Estados Unidos, Calvin Coolidge, que mais tarde, depois que deixou o cargo, relembrou a perda do filho caçula em sua autobiografia. Ele escreveu: “Quando ele morreu, o poder e a glória da Presidência se foram com ele.”

Kermit Roosevelt tirou a própria vida

Kermit Roosevelt senior era o segundo filho do Presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt e sua mulher Edith Roosevelt, primo do presidente dos Estados Unidos Franklin D. Roosevelt.

Kermit Roosevelt Jr. foi um oficial de posto elevado na Central Intelligence Agency (CIA) e participou da queda do primeiro-ministro iraniano Mohammed Mossadegh. Foi membro fundador da United States Lines. O jovem muitas vezes tinha crises de depressão, que se agravaram pelo consumo de álcool.

Durante a Grande Depressão, Kermit sofreu um duro golpe financeiro. Além disso, um caso extraconjugal causou tensão em sua vida familiar.

Informações daquela época dão a entender que Kermit Roosevelt teria tirado a própria vida. Na época de sua morte, porém, sua família foi informada de que ele havia falecido devido a uma doença. Na realidade, Kermit atirou na própria cabeça, mas isso só foi amplamente divulgado em 1980, muito tempo depois da morte de seus pais — especificamente de sua mãe, Edith.

Theodore Roosevelt Jr. morreu dias após liderar o desembarque na Normandia

O Brigadeiro-General Theodore Roosevelt Jr., filho do Presidente Theodore Roosevelt, foi ferido e exposto a gás durante a Primeira Guerra Mundial, experiência que deixou sequelas permanentes e problemas cardíacos. 

Mesmo com limitações físicas, demonstrou ser um homem de coragem ao liderar, aos 56 anos, a primeira leva de tropas americanas que desembarcou na Praia de Utah durante o Dia D. Theodore estava na linha de frente sob intenso fogo inimigo, incentivando e inspirando seus soldados em um dos momentos mais críticos da Segunda Guerra Mundial.

Ambos sobreviveram aos desembarques iniciais do Dia D, mas, em 12 de julho de 1944, Teddy Roosevelt Jr. sofreu um ataque cardíaco fatal. O Brigadeiro-General Roosevelt receberia posteriormente a Medalha de Honra do Congresso por seus serviços.

Sarah Knox Taylor morreu apenas três meses após o casamento com Jefferson Davis

Sarah Knox Taylor, filha do futuro presidente Zachary Taylor e de Margaret Mackall Smith Taylor, nasceu em Fort Knox, em Vincennes, Indiana, em 1814. Era carinhosamente chamada de Knox.

Ela passou sua juventude em fortes militares sob o comando de seu pai, então general do Exército. Foi em Fort Crawford, em Prairie du Chien, Wisconsin, que Knox conheceu o recém-formado da Academia Militar dos Estados Unidos, Jefferson Davis. Os dois começaram a namorar, algo que desagradou o pai da moça, que tinha muitos atritos com Davis.

Davis foi transferido para St. Louis em 1833, mas continuou se correspondendo com a mulher que esperava que se tornasse sua esposa. Sarah finalmente aceitou se casar com ele. Davis expressou toda a sua felicidade em uma carta que escreveu. Em um dos trechos, dizia:

“Não encontraremos em breve Sarah para nunca mais nos separarmos? Oh! Como anseio por repousar minha cabeça naquele peito que bate em uníssono com o meu, por me afastar das visões nauseantes da duplicidade mundana e olhar naqueles olhos tão eloquentes de pureza e amor”.

Eles se casaram em junho de 1835; nenhum dos pais de Knox esteve presente na cerimônia. O casal se mudou para a Louisiana, já que Davis havia renunciado recentemente ao seu posto militar. Tanto Davis quanto Knox contraíram malária, e poucos dias antes do aniversário de três meses de casamento, Knox morreu da doença.

Benjamin Pierce morreu em um acidente ferroviário pouco antes da posse de seu pai

Franklin Pierce e sua esposa, Jane, tiveram três filhos – todos meninos que morreram antes de chegarem à adolescência. Franklin Jr. era o filho mais velho, mas morreu pouco após nascer, em 1836. Franklin Robert, nascido em 1839, morreu de tifo aos quatro anos de idade. A morte do terceiro filho, Benjamin, também chamado de “Benny”, foi a que teve a morte mais trágica.

Franklin Pierce, em 1852, tornou-se o 14.º presidente dos EUA por uma margem estreita, mas, mesmo assim, triunfou. No entanto, a morte trágica de seu filho deixou marcas profundas em Franklin Pierce, influenciando significativamente seu período na Casa Branca. 

Dois meses antes da posse do presidente eleito, os Pierce viajavam de trem de Massachusetts para New Hampshire, quando uma tragédia devastadora aconteceu. Durante o trajeto, houve um problema repentino que fez o vagão descarrilar violentamente.

Bennie, que estava de pé no momento do descarrilamento, foi lançado contra o interior do vagão enquanto ele tombava sobre as rochas. O menino sofreu ferimentos fatais; ele não resistiu, morrendo instantaneamente diante dos pais. 

Quentin Roosevelt morreu em combate aéreo nos céus da França

Quentin Roosevelt foi o filho mais novo de Theodore Roosevelt. Encorajado pelo pai, alistou-se no Serviço Aéreo do Exército dos Estados Unidos durante a Primeira Guerra Mundial, onde se tornou piloto de caça.

Enquanto servia na França, Quentin Roosevelt foi enviado em uma missão para proteger as seções fotográficas do Corpo de Engenheiros do Exército em julho de 1918. Seu avião foi abatido em combate por forças alemãs. Quentin morreu aos 20 anos, tornando-se um dos mais conhecidos símbolos do sacrifício da juventude americana durante o conflito.

Naomi Biden morreu em um acidente de carro ao lado da mãe

A primeira esposa de Joe Biden (na época senador), Neilia Hunter, e a filha caçula do casal, Naomi Biden (de apenas 13 meses de idade), morreram em um trágico acidente de carro em Delaware, nos Estados Unidos, em 18 de dezembro de 1972. 

O acidente ocorreu enquanto Neilia e os filhos de Biden — Naomi (13 meses), Beau (3 anos) e Hunter (2 anos) — estavam fazendo compras de Natal. No caminho de volta para casa, Neilia teria entrado na frente de um caminhão. O carro foi atingido e, quando Neilia e Naomi, carinhosamente chamada de “Amy”, morreram em consequência dos ferimentos. 

Beau e Hunter ficaram gravemente feridos, sofrendo fraturas na perna e outras lesões, mas sobreviveram. A tragédia devastou a família Biden e marcou profundamente a vida do futuro presidente.

George Washington Adams desapareceu durante uma viagem de barco a vapor em 1829

George Washington Adams era filho do presidente John Quincy Adams e neto de John Adams. Nasceu em 1801 em Berlim, enquanto seu pai servia no exterior como representante dos Estados Unidos. Mais tarde, George estudou em Harvard, tornou-se advogado e entrou para a política na década de 1820.

No final da década de 1820, George tinha fortes crises de depressão e também ficou viciado em bebida alcoólica. Teve um filho fora do casamento com uma camareira chamada Eliza Dolph.

Enquanto o pai de George se preparava para deixar a Casa Branca no início de 1829, George viajou para Washington, D.C., a bordo do barco a vapor Benjamin Franklin. Enquanto o barco navegava pelo Estreito de Long Island, George desapareceu misteriosamente.

Alguns passageiros chegaram a relatar, antes da viagem, que George demonstrava estar inquieto e perturbado nos dias antecedentes ao seu desaparecimento. Ninguém testemunhou seu sumiço; as circunstâncias exatas do ocorrido jamais foram esclarecidas. 

Muito tempo depois, seu corpo foi encontrado na praia, mas ainda não se sabe se ele caiu ou se atirou de um penhasco.

“Baby Ruth” Cleveland era a queridinha dos americanos antes de morrer de difteria

Ruth Cleveland, nascida em 1891, entre os mandatos não consecutivos de seu pai como presidente dos Estados Unidos, era adorada por eles. Ganhou o apelido de “Baby Ruth”, ela era a filha mais velha de Grover Cleveland e sua esposa, Frances. 

A moça logo conquistou os corações dos americanos. Durante a eleição presidencial de 1892, sua popularidade começou a ser comparada à de “Baby McKee”, neto do presidente Benjamin Harrison, transformando as duas crianças em símbolos da disputa entre Grover Cleveland e Harrison.

Aos 12 anos, Ruth contraiu difteria. Embora seu estado não fosse considerado grave quando apresentou os primeiros sintomas da doença, no início de janeiro de 1904. Sua saúde, que já estava frágil, se complicou ainda mais. A pequena Ruth faleceu “de insuficiência cardíaca”, vítima de “uma fraqueza cardíaca repentina causada pela difteria”. 

A morte de Dwight D. Eisenhower foi a maior tragédia da vida de seu pai

Dwight D. Eisenhower foi o primeiro filho de Mamie e Dwight “Ike” Eisenhower, passou seus primeiros anos acompanhando a carreira do pai, que estava servindo no exército. Nasceu em 1017, Doud ganhou o apelido de “Icky” — tinha quase três anos quando a família se mudou para Fort Meade, Maryland. Lá, o menino ganhou um uniforme sob medida para assumir o papel de mascote do Corpo de Tanques, que era liderado pelo seu pai.

O rapaz era adorado pelos soldados; Icky marchava com as tropas em desfiles, estava tão à vontade em meio à agitação do ambiente militar que parecia estar em casa.

No fim de 1920, Douglas “Icky” Eisenhower contraiu escarlatina, uma doença que na época representava um grande risco para as crianças. Ficou em isolamento. Em seguida, sua mãe, Mamie Eisenhower, também adoeceu.

O quadro de Icky se agravou rapidamente e o menino acabou morrendo nos braços do pai, Dwight Eisenhower. Foi um dos momentos mais devastadores do casal, permanecendo como uma das lembranças mais dolorosas da vida do futuro presidente dos Estados Unidos.

Jorge Roberto Wright

Jorge Roberto W. Cunha, jornalista há 38 anos, atuando na redação de jornais impressos e digitais. Especializado em notícias de variedades, TV, entretenimento, economia e política.

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